A falta..

A casa anda quieta, mas é um silêncio muito bom. Não tenho sentido falta de mais ninguém em casa, as coisas permanecem como estavam. Todas em ordem e em seus lugares.

Me deparei com o prato na mesa, ali, me esperando; no lenço, o batom ainda brilha, um vermelho bonito. Sinto uma liberdade tão boa em poder comer minha salada em paz e as violetas me sorriem pela manhã. Há o lençol na cama por arrumar, mas não me importo!

Bem, eles são meio desconfortáveis e ficam vários dias amassados, é meio frio, sabe? Outro dia também senti falta de conversar com alguém e de ouvir sua voz revoltada ao contar as “injustiças” diárias que lhe acontecem. Para falar a verdade, noto sempre sua falta, pois não há mais violetas, nem prato na mesa; me parece que a boca impressa no lenço, antes com um vermelho bonito, agora em apagadas cores me diz seu nome e pergunta por você. Tem horas em que a realidade sufoca mais e a paz se transforma em caos, de tão saturada. A casa toda, jornais espalhados pela sala denunciam minha impotência doméstica e “senti-mental”. Por favor, venha com suas doces palavras me dizer “Voltei”.

Texto produzido para aula de Língua Portuguesa, em 22 de maio.

con fi ar

Con fi ar no que acredito, como

Ar, invisível e

vital

Algo Con qué pensar

¿Con qué piensas?

Heart.

I’ve Finally changed my old and sullen heart

Que me dizia

Não vá.

Pero por Ti ago

Todo =)

Faca cega

Poema sobre a invisibilidade de algumas crianças perante a sociedade.

Des-aparecer (Ser) invisível aos demais

Querer não é poder. Não neste, que tudo manda.

Faíscas de lembranças, nostalgia do que não se teve,

Espontaneidade revogada.

Esperanças infantis chocadas nos muros de sua realidade

Deturpação de sonhos, “é a vida”

Conformar-se sempre que possível

e se não for, de nada adiantará a rebeldia.

Ninguém vê.

É a certeza de que o Papai Noel não vem,

enrustida na esperança do Natal.

É não querer que chegue o dia dos pais

para não lembrar que ele não existe pra você.

Muito menos desejar ter uma ceia de ano novo,

quando todos estão ocupados demais.

Para viver.

Armas tomam o lugar dos lápis,

e furtos, o espaço do lar bem estruturado.

Para uma menina, bonecas fazem papel de filha,

diante da mãe que nada vê.

É a criança querendo mostrar como é educar e amar.

Crianças são espelhos de comportamentos formados

E cada pedaço estilhaçado desse vidro,

É uma parte de vida arrancada,

e pequenos pedaços de consciência atirados ao chão.

Devido ao arremesso da faca cega social.

O coração de uma atriz..

Se eu pudesse dar uma dica, seria esta: nunca se envolva com atores. Ou atrizes.

Essas pessoas não são de se confiar. Apesar de verdadeiros, costumam ser muito perspicazes, com todas as cenas do mundo conseguem o que querem e depois dão o desfecho que pensam caber aos coitados que se envolveram. As atrizes em especial conseguem umas façanhas de invejar. Às vezes sabem até ludibriar os mais  inteligenes olhos! Mas coitadas, são tão contraditórias.. Tão contraditórias que é comum cairem na própria personagem que criam com cada ‘caso’.

‘Ó que carinha amável ela tem!’ – exclamam os que gostam de tal papel. É, o segredo das atrizes é acertar em cheio o papel que agrada o envolvido. Se gostam de meigas, olhinhos redondos, sorrisinhos e meiguisse à eles. Assim como olhos de gata e sorriso sarcástico aos que são mais submissos. É fazer o papel e garantir a diversão de ambos.

“Que frieza!” – Sim. Se digo é porque isso acontece realmente. É Macbeth disfarçado de Julieta. Mas tem um ‘porém’ nisso tudo! Não é só de papéis que vive uma atriz. Mesmo neles, há um sentimento, não tem como encenar sem sentir..

Por outro lado, quando se apaixonam.. Quando alguém deveras consegue esse feito.. As delicadas cênicas percebem que caíram feio quando, ao escolher a personagem, escolhem a si mesmas. Um alguém que tem todas as reações possíveis, sem programar, sem ter sentido, apenas movidas pela emoção.

O coração se transforma no corpo inteiro, latejando e vibrando internamente, como Clarice descreveria “com aquela lâmina fina e gelada de aço, encostando no coração quente e úmido, causando aquele calafrio”. É isso. Quando uma atriz se entrega de verdade, os olhos não sabem pra onde correr (meu Deus, não conseguem encenar nada além do que estão sentindo!), as mãos suam e tremem levemente, como quando vão entrar em palco. O corpo por dentro parece uma máquina a todo vapor e as palavras… As palavras simplesmente somem, como um texto esquecido, onde a personagem principal se encontra mergulhada na cena, e todos esperando alguma ação programada.

Essa é a hora da sinceridade. Hora na qual tudo é tomado pela emoção e se diz as falas mais bonitas, ou não diz nada. Os olhares sinceros, profundos e desesperados param ao encontro de outro que, normalmente, quer saber qual a verdadeira essência daquilo tudo.  E ao chegar mais perto, o coração responde: Sou eu. De verdade, nú e quieto a te esperar.

Se eu pudesse dar uma dica, seria esta: se envolva com atrizes..

Grande Ana Carolina..

Outro dia resolvi desempoeirar o CD da Ana Carolina com o Seu Jorge para ouvir e cantar quase todas as músicas ‘de cor e salteado’ como diria minha vó.

Daí eu parei para ouvir uma que eu sempre pulava. Se chama “Notícias Populares”, escrita e cantada pela própria Ana.

Não que eu não goste dela, pelo contrário, gosto da voz, da força com que canta, e de algumas músicas! (Apesar do último CD dela parecer ter vindo do puteiro, de tanta letra pobre em conteúdo e rica em pornografia, como ‘me levou pra um cantinho e chupou meu pau’. Nada contra também haha! Mas acho que uma música não precisa disso pra ser boa ou famosa).

Whatever.. eu tava prestando atenção nessa que falei, onde ela canta a historia do dia que roubaram seu carro. Dentre citações de gosto pessoal e etc, ela fala assim no refrão:

Tomei um tiro
No vidro do meu carro
É a pobreza
Tirando o seu sarro
Foi meu dinheiro
Foi meu livro caro
Que façam bom proveito
Da grana que roubaram
Porque eu trabalho
E outro dinheiro eu vou ganhar

 

Parabéns Ana Carolina! Tá certa mesmo..  Tem que trabalhar pra poder comprar seu livro caro novamente, seu perfume da Armani e, quem sabe, um novo carro, porque afinal este está estragado, não?

Porra! Eu sei que um roubo (com um tiro ainda!) é algo que fica super marcado na memória. Mas enquanto ela faz uma música lamentando pelo livro caro que perdeu, muita gente lamenta que a bala não foi do vidro do carro, e sim no FILHO! Esse ela não vai poder comprar outro não. E era mais caro que o livro, hein.

Sobre isso não dá para nossa querida cantora escrever, porque ela não deve morar numa zona de perigo. Porque ela não vai comprar pão na padaria com medo, porque ela tem seguranças, porque ela mora, provavelmente num condomínio.

Depois ela escreve:

E amanhã, meu nêgo, ninguém sabe
Se alguém recua ou se alguém invade
Se alguém tem nome ou se alguém tem fome.
Que façam bom proveito
Do pouco que restar
Se tanta gente vive
Só com o que dá pra aproveitar

 

Provavelmente, o que ‘dá pra aproveitar’ pra ela, ‘dá pra sustentar’ algumas pessoas.

Sem defender bandido, nem pobreza. Todo mundo que quer ser alguem na vida, é, dependendo do próprio esforço. Mas acho que uma música dessa é pra parar e pensar, que a vista de cima é mais ampla, porém muito mais superficial.

Novo de novo

Alo vocês leitores assíduos da minha vida etc. não.

Oi vocês, leitores aqui dessas coisas… Esse blog é a evolução do ‘Uma coca quente’, que antes era blogspot e agora é wordpress! :D

Esse daqui é mais bonitinho, tem o topo do Calvin, tem meus posts no twitter, minhas fotos no flickr e mais um monte de coisinha inútil mas legal (:

O nome mudou também, to ficando mais mala, então é mariliamonteiro.wordpress.com mas o conteúdo vai ser o mesmo do coca quente, sou seja, zero.

-q blog novo

-q blog novo

Queria informar também que ao longo do blog vão ter posts com vários comentários e posts repetidos, porque eu tava fazendo um por um  (n00b) e depois descobri a ferramenta que importava os posts e comentários de lá pra cá. Não tive paciencia para excluir todos e deixar bonitinho. Como sei que você não vai passar dessa página, deixo estar.

Então, venho através deste (horrível!) dar um abraço nos amigos e um beijinho em meu ~~ken e falar isso só, porque hoje nem tenho o que escrever, a não ser o fato de que estou fazendo uma matéria sobre BLOGS  (veio a calhar?) e to falando com uns astros e estrelas dos blogs e orkuts do Brasil, mas nem me sinto importante por causa disso. (Me sentiria se fosse eu a entrevistada  rs).

Beijos, queridos. Volto em breve com algo útil a ser postado! (:

Comportamentos acadêmicos

Acadêmico não é aquele que é membro de uma academia?
É, agora eu sou. E não há nada mais engraçado que uma academia.
Saio do trabalho e vou ali me mexer, fazer incansáveis exercícios físicos, ‘puxar ferro’ como dizem. E como é divertido!

Para começar que tudo de mais bonito se encontra lá: jovens espinhentos suados e de regata, ou abadá da micareta passada, senhoras querendo perder a ‘pochete’, tiozões querendo manter a forma atlética dos tempos em que fazia parte do quartel, ou pra manter a saúde e não enfartar novamente, gordinhas querendo emagrecer (eu) e em alguns casos, magrelas ganhando músculos, peso e um voluminho na roupa. HEHE.

Mas os especiais são aqueles com músculos superdesenvolvidos, os famosos ‘bombados’. Aí é uma lindeza só, né? Acho que eles nunca ouviram de nenhuma tia na infância ‘nossa, como você cresceu’ e quiseram descontar tudo agora. Toma, tia!!

Bem, como já disse, estava na academia pra perder uns quilinhos e, ao iniciar a aula de jump, onde se pula (a vá!) sem parar numa caminha elástica, já percebi que meu sedentarismo, a barra de chocolate que havia comido e os maus hábitos juvenis começaram a pesar. Eu suava, não respirava direito, me descoordenava toda e morria de inveja da professora, que com mais de 40 anos me ‘dava um coro’.

O que me consolou (um pouco) naquela aula, foi olhar ao redor. Um senhor simpático (demais até, rs), barrigudinho e bem disposto, pulando tanto quando a professora e várias outras pessoas quase no mesmo estado que eu. É, quase porque elas já faziam a aula há mais tempo. Acho que eu estava em desvantagem..

Eu pulava e lembrava quão boa é minha cadeira em frente ao computador, quantas coisas eu tinha que pesquisar, no esquete de teatro que teria de apresentar, e outras tantas coisas, menos estar ali.

Terminada a aula, eu me sentindo mais leve, disposta, magra e etc (tudo aquilo que eu não era e que vai demorar pra me acontecer, mas a adrenalina liberada já me enganou), quando vou para o vestiário me trocar e vejo uma daquelas belezas masculinas já citadas, de regata e com peitos maiores que os meus (fato) lendo! Acreditem se quiserem!

Mas não deu nem tempo de pensar “Menos mal, pelo menos ele l..” e vieram mais outros ‘bombados’ amiguinhos daquele, dizendo (enquanto se esmurravam): OLHA ELE, QUE BIXISSE, TÁ LENDO! PARE OW!! HAHAHAHA (altas gargalhadas)

Nem fiquei em shock porque já era de se esperar, vindo de alguém que tem a cabeça quase menor que os músculos do trapézio, mas foi demais. Segurei o riso de desgosto até o vestiário e segui em frente.

É a vida, minha gente. Os comportamentos acadêmicos estão cada vez piores! E eu, pequena gordinha, que me acostume com isso. Não dizem que toda beleza tem seu preço? Esse é o que eu pago!

Lição de casa


- Três contos do livro Cadeiras Proibidas – Ignácio de Loyola Brandão – se reúnem nesse texto, num novo contexto, mas com as mesmas características. São eles: “A menina que não queria atravessar a rua”, “O homem do furo na mão” e “O homem cuja orelha crescia”.

Vila Maria é uma pequena cidadezinha do sul do Brasil onde paira um cenário europeu da década de 60. Os senhores andando bem alinhados e as senhoras sempre com o ‘rouge’ as representando. Crianças brincam alegremente pelos parques com folhas de outono espalhadas pelo chão, e adultos levam uma vida corriqueira de trabalho, mas sem a correria dos dias atuais.

Nesta vila resido eu, Clarice, que como toda mulher adulta, realizo meu trabalho e estudos com muita habilidade e sou sempre bem vista por minhas roupas elegantes. Hélcio é um adolescente que sofre mutações, como todos, mas uma em especial. Quando pequeno, sua mãe o avisara do distúrbio que possuía na orelha, porém nada tinha se manifestado até seus 17 anos. Ao completar tal idade, o que parecia profecia, se cumpriu: metros de carne cresciam da orelha de Hélcio, que só não se desesperava mais, porque tinha encontrado um gorro que suportava o tanto de carne que crescia a cada dia.

Tiago andava pelas ruas com certo receio, e as pessoas com o mesmo sentimento por ele. Olhavam, não enchergavam, mas sabiam que algo de errado acontecia com ele. Por usar luvas de vez em quando, o furo na mão de Tiago não aparecia muito, mas sua cara de estranheza espantava a todos. Apesar de gostar de seu ‘defeito’, sabia que para os outros, aquilo era perfeitamente inconcebível, então se resguardava.

No feriado de Páscoa, eu e esses dois seres até então estranhos, estávamos tomando nossos cafés da manhã, cada um em uma mesa, solitários. Eu não ligo, sempre fui assim. Saindo da padaria, os três solitários pararam no semáforo, que logo abriu. Um atravessou e outro insistiu em me ajudar. Não queria! Gostava daquele lugar e ali queria ficar, oras!

- Vamos, eu ajudo a senhora.

- Onde tem uma senhora aqui, rapaz?

- Desculpe-me, TE ajudo a atravessar. Apesar de estranho, não ofereço perigo.

- Não confio em pessoas com carne de orelha nos gorros.

- Mas na cidade só eu sou assim.- Pois então, não confio e nem quero sair daqui.

- Por que será que ninguém nunca quer ao menos conversar comigo?

- Acho que é por que você é estranho.-

Mas eu não sou! A única parte estranha é minha orelha!

- Isso já basta para fazer de você uma pessoa estranha. Aposto que não tem hábitos muito bons. Mas chega, atravesse a rua que eu fico aqui. Até logo.

- Não tenho não! Eu como, durmo, estudo e tento trabalhar como todo mundo que aqui está. E não vou atravessar a rua até que a senhora vá.

- Senhora, não! E pode esquecendo que daqui eu não saio.

Ao ver a discussão do outro lado da rua, Tiago que estava sem as luvas me chamou com aquela mão furada para atravessar, resolveu aderir ao movimento do orelhudo.

- Pois não vou! Podem me deixar em paz?
- Por que quer ficar aqui? – dizia Hélcio
- Por que quer me tirar daqui?
- Moça..
- Clarice!
- Clarice, pare com esse comportamento infantil!
- Não é infantil, olha bem pra minha cara de quem é criança!

Agora no mesmo lado da nossa calçada, Tiago interferiu:

- Ela está certa, não é criança. É adolescente.

E antes que eu falasse o primeiro nome feio que veio à minha cabeça, o mocinho da mão furada completou:

- Os adultos só são a capa. Somos e sempre seremos eternos adolescentes, nos transformando e procurando coisas novas, aprendendo e nos surpreendendo cada dia mais com as pequenas coisas que acontecem. E claro, tendo as mesmas atitudes dos que tem espinhas na cara: birra, marra, medos, proteções ásperas, temperamento difícil. Portanto, não vejo estranheza na atitude desta menina, que mais parece uma mulher de quarenta e poucos. Vamos, Hélcio, quando ela quiser, atravessa.

- Como sabe meu nome? – indaga Hélcio

- Vi na comanda da padaria.

A TV aberta, o domingão e o Faustão

Dia desses descansava em frente à TV num domingo ocioso, quando comecei a reparar e lembrar das peripécias da televisão aberta.

A primeira conclusão que cheguei é que as opções de bons programas no domingo (e em outros dias também) são mais do que escassas. Todos estão cansados de ouvir esta frase. Mas por que isso acontece?

Alguém já parou para pensar que quem escolhe isso é o telespectador? Na verdade é assim: a TV impõe e o público acata; o que faz com que a televisão selecione os programas de acordo com a capacidade e expectativa de quem assiste.

Um clássico exemplo é a maravilha de programação que passa à tarde nos canais abertos. Filmes super interessantes e programas do mesmo tipo é que fazem a alegria dos reles mortais que tem a coragem de passar tardes em frente à TV. Vai ler um livro, sair pela rua, procurar emprego, estudar, ou ver vídeos no youtube, que seja! Mas é um atentado à sua saúde mental assistir “A Lagoa Azul 3 – O retorno de quem não foi”, ou então um desabafo: “Perdi minha dignidade e o amor dos meus filhos” – com Márcia Goldschmidt.


Essa grade só é colocada neste horário, porque normalmente é a hora em que a dona de casa tem um tempo para parar e prestar um pouco mais de atenção à televisão, ou que os estudantes não tem muito o que fazer e se esparramam no sofá.

Á noite acontece o mesmo, mas como todos supostamente estão em casa, a programação é “menos pior”, com telejornais (super imparciais) e novelas quase educativas. E somente próximo à madrugada, onde todos estão praticamente dormindo aparecem alguns programas dignos de se assistir, como CQC (que consegue fazer humor crítico de qualidade), Jô (não por ele, mas pelos entrevistados, que sempre agregam algum tipo de conhecimento, mesmo que seja a clássica “cultura inútil”), Passagem Para… (um programa do canal futura onde o apresentador mostra diversos países e suas culturas – bem interessante) e alguns outros.

Mas quem disse que as pessoas portadoras de uma peneira mental podem ver televisão até altas horas? – que inclusive é um programa legal também, mas já pelo nome podemos saber o horário que passa. As emissoras deixam o melhor por último, como quem diz: “Meu púbico alvo não tem capacidade e nem vontade de assistir programas bons”. E será que estão erradas nisso?

Mesmo levando em consideração o público menos instruido, maior motivo dessa grade de programas sem conteúdo, não é impossível fazer melhores trabalhos televisivos passarem no horário da tarde, por exemplo. O problema é que tem de haver empenho e vontade da parte de quem escolhe o que passar ou não na TV; porém é mais fácil fazer programas burros para que as pessoas continuem a ser como eles, pois assim não reclamam e continuam com a ideia de que “o povo gosta mesmo é de baixaria, polêmica inútil e rostinhos bonitos falando asneiras”.

Até existem programas educativos nos horários que mencionei, mas sempre estão em canais menos vistos, que às vezes nem pegam na casa das pessoas. E se pegam, a maior parte deles acabam por ser monótonos (como aqueles vídeos de história, onde o que se conta é interessante, mas aquela mulher falando a cinco por hora dá sono) ou tão específicos, que ficam direcionados a um limitado grupo de pessoas que se interessam por tal assunto e que têm tempo de ve-lo.


Sim, a televisão precisa mudar urgentemente. Mas enquanto o Gugu, que ajuda os pobres a refazer a casa e a voltar para sua terra; o Dr. Hollywood, que transforma gordas em magras, magrelas em barbies e velhas em bonecas infláveis, e o Pânico na TV, que exibe “gostosas” e pura inutilidade, o Faustão vai continuar sendo um grande gerador de besteiras, continuar falando “Oloco, meu.. Brincadeira, bixo” e interrompendo pessoas e seus domingos.

Ilha das Flores?

Veja o vídeo para maior compreensão do texto.

Após ver o vídeo, vale ressaltar que não é uma crítica ao curta-metragem, mas sim uma ênfase à sua crítica. E, portanto, seguindo a linha de raciocínio do roteiro, é um texto pesado e subjetivo.

Por: Marília e André

Porco ou homem? Não sei. Vivo no meio deles, mas não sou como tais, sou mais evoluído, eu escolho o que como! Como? Pego o resto dos outros. Que outros? Os porcos! É, esses mesmos, os que usam o capitalismo a seu favor, que criam gente e porcos também. Mal sabem eles que são escravos desse “sistema”, são sempre subordinados e vão automaticamente subordinando coisas e pessoas. Várias vezes aparece aqui uma garrafa com rótulo vermelho e detalhes brancos. Que tipo de líquido será que ela comporta? Será que faz bem? Será que estraga? Será que um dia deixarei de ve-la por aqui? Não sei, mas deve ser gostoso, pois tem tanto! O que é gostoso? Gostoso para mim é comer um tomate inteiro e ter os meus cinco minutos de escolha. Sim, porque eu escolho! Nessa hora sou que nem gente, posso recolher o que os porcos não comem, tenho liberdade, não tomo conta de subordinados e nem pago impostos, que nem o dono do terreno aqui.

Pensando bem, para este homem eu sou meio porco, gente e bicho aqui vivem juntos e de um modo geral, comemos o que ele nos dá. Mas é inútil pensar nisso agora, está na minha hora. Sou o próximo da fila, aqui na Ilha das Flores – de plástico.