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Argumente se puder com o filme Obrigado por fumar

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Marília Monteiro
Jason Reitman, diretor de Amor sem escalas e do bem sucedido Juno, dirigiu em 2005 a comédia Obrigado por fumar. O filme conta a história de Nick Naylor (Aron Eckhart), um lobista que defendia o direito dos usuários de cigarro dos Estados Unidos. Naylor mostra como os bons argumentadores trabalham e, principalmente, como pode oscilar a imagem de empresas com produtos polêmicos, como o cigarro.

Eckhart, que também foi o Duas Caras em Batman – O cavaleiro das trevas, interpreta com maestria seu personagem que, como o próprio descreve, tem o dom da fala e argumentação. Naylor convive com as visitas de seu filho, o tímido Joey (Camreon Bright, atual Alec Volturi da saga Crepúsculo) que vem aprendendo com o dom do pai e se orgulha dele.

O local de trabalho de Naylor é a Academia dos Estudos do Tabaco, que é patrocinada em sua maior parte por indústrias tabagistas. Mostrando de perto como é ser um porta-voz e articulador de comunicação, o personagem de Eckhart parece satirizar quem ousa por à prova sua argumentação afiada; o que seria justo e necessário para manter a imagem dessas empresas ditas como perigosas.

Diferentes pontos de vista e inversão de valores são algumas das armas que Naylor usa para se manter no emprego e cultivar o sucesso das instituições que trabalha. Além disso, sua própria imagem autoconfiante e desafiadora já é um marketing poderoso para as empresas de cigarro.

Em uma cena, no começo do filme, Joey pergunta ao pai por que o governo americano é o melhor do mundo e, entre outras falas, Naylor o responde e mostra  indiretamente a essência de seu trabalho: “O que faz parte do melhor governo do mundo? Os crimes, a pobreza, a educação? O governo americano com certeza não é o melhor do mundo, talvez seja pior que o da maioria. Fazemos uma boa propaganda, isso sim”.

O lobista enfrenta uma série de ativistas pró-saúde, pessoas que estão à beira da morte e sentem raiva dele, sofre um sequestro e quase é morto, entrega todas suas informações valiosas para uma jornalista com quem se envolve, e consegue se livrar de tudo isso, invertendo o jogo com seu poder de persuasão.

No final da trama, Naylor acaba treinando homens de alto cargo de uma empresa de celulares, para tratar do assunto ‘O uso do celular causa tumores no cérebro’. Com certeza, a comunicação é a maior parcela do sucesso ou declínio empresarial. É esse tema, entrelaçado com um humor ácido, que faz valer a pena assistir Obrigado por fumar.

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