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Cheiro de sucesso no cenário brazuca

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(texto criado para a revista fictícia “Cooltura”, para um trabalho da Faculdade Prudente de Moraes)

Marília Monteiro

Sempre gosto quando há lançamento brasileiro no mês. E que lançamento! Faroeste Caboclo promete revirar o baú e ativar a memória dos milhares de fãs do Legião Urbana, que há uns 10 anos ouviram incansáveis vezes a história de João de Santo Cristo, até decorar completamente. E cantaram junto outras inúmeras vezes.

Alguns fãs já reclamaram de antemão, dizendo que o filme vai distorcer toda história, como normalmente acontece com livros que viram filmes; mas sinceramente, acredito que cada adolescente daquela época criou o enredo no seu imaginário, e pode apostar: nenhum é igual.

Portanto, o filme deveria ser bem recebido, visto que é a manifestação do que o diretor criou, que nada mais é do que mais uma das milhões de criações que cada um de nós fizemos. Depois falamos se gostamos ou não, falamos de técnica, e tudo que gostamos de palpitar sobre cinema.

Outro lançamento que provavelmente estará nos cinemas interioranos é o Batalha dos Mares (Battleship), do mesmo diretor de Hancock, Peter Berg. O filme é baseado no jogo Batalha Naval, quem nunca jogou? Estou achando que os cineastas querem nos pegar pelas memórias da infância!

Independente disso, Batalha dos Mares vai contar com uma participação da cantora Rihanna e teve um orçamento de 150 milhões de dólares. É dólar pra caramba, alguma coisa tem que ser boa nessa superprodução!

E pra quem gosta de um dramão, a aposta é no Um Homem de Sorte, que tem Zec Efron e Taylor Schilling protagonizando o casal principal da obra e também no Upside Down, uma ficção científica estrangeira, que me interessou pela história e também por não fazer parte do clã do Tio Sam. Uma boa pedida para os alternativos de plantão!

Bom, meu palpite para os filmes que estarão em cartaz aqui na região é: Faroeste Caboclo, Battleship, A Casa Silenciosa e Armadilha. E vocês? Quais filmes vão querer ver no cinema e quais vão baixar?

Até mais! 😉

Argumente se puder com o filme Obrigado por fumar

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Marília Monteiro
Jason Reitman, diretor de Amor sem escalas e do bem sucedido Juno, dirigiu em 2005 a comédia Obrigado por fumar. O filme conta a história de Nick Naylor (Aron Eckhart), um lobista que defendia o direito dos usuários de cigarro dos Estados Unidos. Naylor mostra como os bons argumentadores trabalham e, principalmente, como pode oscilar a imagem de empresas com produtos polêmicos, como o cigarro.

Eckhart, que também foi o Duas Caras em Batman – O cavaleiro das trevas, interpreta com maestria seu personagem que, como o próprio descreve, tem o dom da fala e argumentação. Naylor convive com as visitas de seu filho, o tímido Joey (Camreon Bright, atual Alec Volturi da saga Crepúsculo) que vem aprendendo com o dom do pai e se orgulha dele.

O local de trabalho de Naylor é a Academia dos Estudos do Tabaco, que é patrocinada em sua maior parte por indústrias tabagistas. Mostrando de perto como é ser um porta-voz e articulador de comunicação, o personagem de Eckhart parece satirizar quem ousa por à prova sua argumentação afiada; o que seria justo e necessário para manter a imagem dessas empresas ditas como perigosas.

Diferentes pontos de vista e inversão de valores são algumas das armas que Naylor usa para se manter no emprego e cultivar o sucesso das instituições que trabalha. Além disso, sua própria imagem autoconfiante e desafiadora já é um marketing poderoso para as empresas de cigarro.

Em uma cena, no começo do filme, Joey pergunta ao pai por que o governo americano é o melhor do mundo e, entre outras falas, Naylor o responde e mostra  indiretamente a essência de seu trabalho: “O que faz parte do melhor governo do mundo? Os crimes, a pobreza, a educação? O governo americano com certeza não é o melhor do mundo, talvez seja pior que o da maioria. Fazemos uma boa propaganda, isso sim”.

O lobista enfrenta uma série de ativistas pró-saúde, pessoas que estão à beira da morte e sentem raiva dele, sofre um sequestro e quase é morto, entrega todas suas informações valiosas para uma jornalista com quem se envolve, e consegue se livrar de tudo isso, invertendo o jogo com seu poder de persuasão.

No final da trama, Naylor acaba treinando homens de alto cargo de uma empresa de celulares, para tratar do assunto ‘O uso do celular causa tumores no cérebro’. Com certeza, a comunicação é a maior parcela do sucesso ou declínio empresarial. É esse tema, entrelaçado com um humor ácido, que faz valer a pena assistir Obrigado por fumar.