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Olha lá – matéria sobre a Umbanda

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Recebi com muito carinho a pauta sobre a religião Umbandista para a revista Trilhos Urbanos de Novembro de 2011.

Sabia que seria um desafio e tanto, era uma matéria importante e relativamente grande, além de ser um assunto completamente desconhecido por mim.. Fiquei um bom tempo pensando em como abordar o tema, mas foi só começar que as ideias começaram a surgir e eu fui me apaixonando pela diversidade que ele traz..

Espero que gostem (:

http://issuu.com/paulostucchi/docs/trilhos_novembro

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Odó-Iyá, rainha do mar!

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Fraldas geriátricas: o que o Osama e o Obama tem a ver com isso?

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We've caught a big fish, Sam!

Marília Monteiro

A morte de Osama Bin Laden foi como um prêmio para os Estados Unidos da América. O site brasileiro Último Segundo noticiou a opinião do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que falou por toda sua nação: “A morte de Osama bin Laden não diminui o sofrimento que os nova-iorquinos e que os americanos experimentaram em suas mãos, mas é uma vitória de importância crucial para a nossa nação”. O ex-presidente George W. Bush declarou que esse fato foi uma vitória aos Estados Unidos. Típicas palavras de um Senhor da Guerra, que fracassou em todas suas tentativas militares.

O governo Obama parecer ser mais pacifista, mas capturar Osama era uma missão ainda não cumprida pelos States. É como se o atual presidente tivesse que honrar o país depois de tanta tentativa frustrada que o governo anterior fez. E assim aconteceu: para cobrir a vergonha, uma bela e satisfatória mancha de sangue se estendeu em lençóis norte-americanos.

Bin Laden foi encontrado em uma fortaleza, depois de meses de sondagem do serviço de inteligência dos Estados Unidos. Primeiro encontraram seu mensageiro de maior confiança. O capturaram e utilizaram de alguns métodos, cujo único divulgado foi o afogamento simulado, para um interrogatório, com intuito de revelar o paradeiro de Osama. E deu certo.

Desconfio que se esse mensageiro tivesse vivido aqui no Brasil na época da ditadura militar, acharia fichinha essa técnica de afogamento e ainda teria despistado os enviados norte-americanos. Em pleno século vinte-e-um, a ‘ditadura’ reina na maior potência mundial.

O EUA se comporta como uma criança rica e mimada, que quer sempre mais do que já tem e não liga a mínima para o que os outros vão achar. Basta abrir um berreiro em pleno supermercado mundial, que consegue tudo o que quer desse jeitinho.

– Buá! Quero petróleo! – Simples, vai lá, invade umas terrinhas que já estão em conflito interno e ‘guerras santas’, mete o dedo onde não é chamado, pisa no formigueiro, sofre as consequências e depois quer reverter o quadro. – Não me importo, meus empregados limpam tudo depois. – diria a criança birrenta.

Essa guerra contra o Oriente Médio não acontece há pouco tempo. São anos e anos tentando impor uma cultura que não é inerente àquela região. Se eles fazem guerra entre si, o motivo é local, religioso. Um pensamento totalmente diferente do ocidental. Deixe para a ONU a tentativa de resolver isso, com acordos de paz, ou sua paciência infinita. Tantos países aceitaram a violação cultural e aderiram à globalização; tantos outros cedem recursos naturais, pra quê mexer no vespeiro?

Entre lá e cá, milhares de vidas já foram descartadas, como quilos de fraldas geriátricas, tentando segurar toda sujeira resultante de vingança em cima de vingança. Não há mais o que fazer, a morte não volta. O encerramento desse capítulo na história norte-americana serviu para aflorar toda sua ditadura e mostrar o AI 5 do Tio Sam comendo solto pelo mundo.

Mentir faz parte

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Um apanhado geral sobre esse universo

Marília Monteiro

Quem não conhece aquela pessoa especialista na arte de enganar? Mentir é algo fora da conduta cidadã, mas ninguém sobreviveria bem sendo completamente sincero. Há muito que refletir. Não dá para considerar irrelevante esse ‘costume’, que tem até dia próprio.

O dia da mentira se revela mundialmente em 1º de Abril e é como se, nessa data, todos tivessem permissão para pregar uma peça em alguém, mentindo ou fingindo situações. Na verdade, essa história começou na França, 64 anos depois do descobrimento do Brasil. Não se assustem, por incrível que pareça, nosso país não tem nada a ver com o dia.

O Rei Carlos IX da França substituiu o calendário Juliano, que comemorava o ano novo no começo da primavera (final de março, início de abril), pelo Gregoriano, que celebrava a passagem do ano em 1º de janeiro. Como toda mudança gera resistência de alguma parte, os adeptos passaram a satirizar quem ainda não tinha gostado da alteração.

As pessoas que moravam no interior também eram alvo das piadas. Naquela época as notícias demoravam muito para chegar ao país todo, podendo ter meses ou até anos de atraso em relação à mudança da data. Quando chegava a primavera, os sarristas enviavam presentes e convidavam para festas que não existiam, fazendo a fama da pegadinha do 1º de abril.

E as mentiras não param por aí. Segundo a psicóloga Daniela Alves, formada em Psicologia pela Universidade Paulista (Unip), as pessoas soltam pequenas falsidades no dia a dia, como parte de uma certa política pessoal, ao elogiar algo que não as agrada, sustentar uma posição social diferente da que tem, dar uma desculpa, nem que seja esfarrapada, para se livrar de uma situação chata e assim por diante.

Se você parou pra pensar e acha isso um absurdo, tente imaginar o que aconteceria se todos fossem francos.  Um dos quadros no programa Fantástico, da Rede Globo, traz Luiz Fernando Guimarães interpretando o Super Sincero, que não fala uma mentirinha sequer, nem para agradar. Pelo contrário, ele é um homem chato, sem muitos amigos e que não para em emprego nenhum.

“Acho que o mundo precisa de sinceridade. Tem coisa que a gente realmente tem vontade de falar”, disse o ator a uma entrevista ao programa Vídeo Show, lembrando que é importante ser franco, mas com jeitinho: “Senão, beira a indelicadeza. O Super Sincero, por exemplo, é um cara muito sozinho. Quem quer ouvir sinceridade a toda hora?”.

Daniela Alves afirmou que pode-se mentir para ter alguma vantagem ou evitar que algo acabe mal; mente-se com receio da punição.  Sendo assim, as pessoas tendem a dizer a verdade diante de situações em que o que elas digam não será julgado, criticado, ou punido. “Se um pai castiga o filho quando ele diz que jogou videogame quando deveria estudar, é importante observar que ele puniu o filho por ter feito o que não devia, mas puniu também o comportamento de dizer a verdade. Pense, depois de ter sido castigado por dizer a verdade, ele a diria novamente?”, questionou a psicóloga.

“As crianças mentem com frequência para os pais quando eles costumam censurá-las pelo que fazem, quando falam algo de ‘errado’ ou quando são muito limitadas pelos próprios pais. É importante exemplificar situações de sinceridade e valorizar quando a criança é franca”, concluiu Alves.

Nem sempre se consegue ouvir a verdade com tranquilidade. Mas a psicóloga disse que se todo relato sincero de alguém passa a ser criticado, julgado ou se torna uma discussão, é provável que essa pessoa não conte mais nada, ou minta. E Alves ainda acrescentou: “Isso vale para qualquer relação interpessoal. Um colega continuará dizendo a verdade sobre o que pensa se ele se sentir ouvido. Por isso, deixar que as pessoas digam o que fizeram, ou o que pensam livremente, é um bom caminho para continuar ouvindo a verdade”.

“Mentiras sinceras me interessam”

Muito citada em músicas, poemas, peças teatrais e até no cinema, a mentira também faz parte da arte. No interior do país criou-se uma figura muito simpática, com ar acolhedor e um monte de histórias pra contar: o caipira. É nacional a fama desse sujeito interiorano contador de causos que, se são verdade, ninguém sabe, mas todos param para ouvir nem que seja pela simplicidade como contam suas histórias mirabolantes.

Um legítimo sertanejo nascido em Bela Vista de Goiás, pai de oito filhos, é Geraldinho Nogueira, que vinha com o chapéu de boiadeiro, sua camisa xadrez e com poucos dentes na boca contando seus causos e se tornando um dos caipiras mais famosos do país.

Geraldinho participava da Folia de Reis, onde dançava catira, tocava viola e alegrava as pessoas com suas histórias. Em 1984, o contador de causos foi descoberto por José Batista e Hamilton Carneiro, apresentadores da rede de televisão local. Desde então, Geraldinho foi uma das principais atrações de programas regionais, participava de propagandas, tinha programa no rádio e chegou até a gravar alguns discos. O caipira faleceu em 1993, devido a uma trombose.


“As mentiras que os homens contam” virou título de livro escrito pelo fabuloso Luís Fernando Veríssimo. A obra reúne crônicas que abrangem o universo masculino relacionado às mentiras corriqueiras. Uma leitura muito gostosa e divertida, que vale a pena.  Mas, mais importante do que saber quem mente mais – o homem ou a mulher –, é descobrir quando a mentira torna-se parte da vida da pessoa.

Há muitos estudos sobre a patologia que gera a mentira. A psiquiatra forense (que atua em tribunais, é uma sub-especialidade da Psiquiatria e da Medicina Legal) Hilda Morana, presidente do Departamento de Ética e Psiquiatria Legal da Associação Brasileira de Psiquiatria, descreveu para a revista Época as principais patologias que levam a mentir, como o  Transtorno Histriônico.

Nesse transtorno os sintomas são o egocentrismo, baixa tolerância às frustrações e a necessidade de fazer com que todos dirijam a sua atenção para eles próprios. Há também a Pseudologia Fantástica, que é uma tentativa de impor as próprias fantasias aos demais, para despertar admiração. É o desejo de chamar a atenção, seduzir e ser valorizado. Já no caso da Mentira patológica, a pessoa tem tendência patológica para mentir raramente fica restrita a um único evento. Difere da mentira comum principalmente em um ponto: enquanto na mentira comum há um objetivo, um propósito de enganar para obter vantagem, na mentira patológica não há. É apenas a expressão do funcionamento do mecanismo mental defeituoso.

Outro transtorno desse estudo é a Síndrome de Münchausen, em que o paciente se mostra dramaticamente doente, com a habilidade de mimetizar sinais e sintomas de forma a necessitar de internações prolongadas, procedimentos diagnósticos invasivos, longo tempo de terapia com as mais variadas drogas e até cirurgias.