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Tv na Tv?

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(texto criado para a revista fictícia “Cooltura”, para um trabalho da Faculdade Prudente de Moraes)

Marília Monteiro

Pensando um pouco na minha infância, tenho memórias claras em frente à TV. Era pra assistir desenho, programas de jogos – como o passa ou repassa -, a escolinha do Professor Raimundo (Slave Anysio!), o que fosse eu estava sempre lá.

Para cada época tinha um ritual diferente: no verão eu pegava um copão com água ou suco de caju, colocava as almofadas no chão fresquinho e parava ali diante da televisão. Já no inverno, pegava o cobertor mais surrado, jogava no sofá, onde me deitava, tirava um cochilo e ali ficava para assistir a TV Cruj.

A televisão sempre me atraiu e hoje vejo que os programas chamavam a minha atenção sim, mas acredito que esse movimento sofá-chão-almofadas-sala de estar era o que realmente me movia para frente do aparelho que me abria as portas do riso e do entretenimento.

Hoje em dia mal paro em casa, o aparelho fica na cozinha, porque mudei há pouco tempo e nem tem sofá na sala. É o bastante para tornar-se nítido o fato de que eu vejo muito menos TV agora. Mesmo quando estou de folga, aquele aconchego dela assistida com almofadas não existe mais, portanto, nem ligo muito para a pobrezinha filha de Chatô.

Também, com tanta modernidade que existe hoje – como diz minha avó –, o conteúdo passou a ser mais importante que esse ritual televisivo ao qual todos eram submetidos há uns 10 anos. Se podemos ver TV através do celular ou do computador, temos acesso às programações devido a alguns canais no youtube especializados em subir capítulos de novelas e séries, por que raios iremos parar o que estamos fazendo para não perder o que está passando na TV?

Não que a televisão esteja perdendo seu público, ou que vá sumir com a Internet, como muitos ‘Nostradamus da comunicação’ vem pregando por aí, mas que ela vai ter que se adaptar mais a tudo isso, ah vai.

Já existem web TVs com conteúdos exclusivos, canais para todos os gostos e boas produções. Também estão por aí aquelas cujos canais passam só filmes, séries e clipes de música, uma espécie de MTV das antigas, só que na rede.

E cresce cada vez mais o número de ‘programas informais’, que são esses hospedados num canal do Youtube ou qualquer outro site de vídeos, com pessoas que não tem necessariamente uma formação para aquilo e que fazem o maior sucesso. Dois exemplos disso são o Mas Poxa Vida, do colorista PC Siqueira e o Não faz Sentido, do ator Felipe Neto.

Com toda essa facilidade e acessibilidade, aquela caixinha preta, que hoje é fininha e tem até tela de LED, transmite sinais digitais e imagens em HD (High Definition), está se transformando e investindo tanto na tecnologia do aparelho, quanto na diversidade de seu conteúdo.

Qual o ritual que estamos criando para acessar esses conteúdos da TV e da Internet? Fata agora criarem programas para o público do celular, será que vira?

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