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Colors. I see colors coming soon

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s50357971Outro dia parei pra pensar em quantas vezes penso que vou me apaixonar por alguém. Claro, perdi as contas. A gente é engraçado, né? Digo porque, por mais que eu pense que me fecho pra essas coisas, estou sempre pensando na possibilidade de um relacionamento, ou mesmo de uma aproximação com fulano que acabei de conhecer por acaso, ou com o outro, que ha tempos observo; enfim. E não adianta negar, eu sei que você também é assim. Pronto, falei. Você, ele, elas, eu, todos, pelo menos uma vez na vida já pensamos nisso. E é curioso, porque fica sempre numa expectativa, muda a rotina, tenta encontrar, trombar, ou pelo menos ver de longe a pessoa. Ficamos parencedo bobos, mas só nós sabemos disso. Daí vem o pensamento: pára que está ficando ridículo pra você mesmo. E o outro: tô nem aí. Só para alimentar uma possibilidade, ou um pensamentozinho que seja. Aí tem alguns destinos para essa situação interna: Você começa deixar transparecer que fica bobo quando a pessoa vem, os outros percebem e dá certo alguma coisa, ou mesmo deixando transparecer a pessoa finge que não sabe de nada e você entende o recado. Ou então, tu deixa pra lá, vê que não estava tão eufórico e parte pra outra. Tudo pra sanar momentaneamente sua carência permanente. E não negue!

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noites desperdiçadas

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Num quarto à meia luz, em alguma hora da madrugada, ela passava mais uma das noites que julgava perdidas. Olhava para aquele rosto em processo de masculinização, que a beijava sufocada e desesperadamente, como se tivesse que aproveitar o que logo acabaria. O corpo era bonito, com apenas uma bermuda branca e sua roupa íntima, peito e braços e delicadamente definidos, cabelo gostoso e cara bonita. O uísque agravara a situação e euforia, ela sorria, corria as mãos por corpo e cabelo, rosto e braços, beijava-o com desejo, mas sem satisfação.
Parou com aquela coisa que não sabia bem explicar o que era, sexo ela conhecia, mas não era o que acontecia, era como um ensaio para tal, que costuma ser bom. Não estava feliz. Olhava, respirava fundo, olhava novamente, tentando enxergar um rosto que a passasse um sentimento bom, conforto, carinho, quem sabe até amor. Mas não o encontrava, era só um rosto acompanhado de corpo que a queria devorar. Se sentia mal, mesmo com um pouco de álcool, sua cabeça pensava direito e sabia classificar aquela situação. Parou, desgrudou daquela carne que ao seu lado colava como chiclete no corpo desproporcional, porém bonito e desejado pelo rapaz.
Levantou meio zonza, mas já prticamente sóbria. Abriu a porta do quarto, o corredor estava escuro também, só com a luz e barulho da televisão ligada lá no fundo, com meia dúzia de gente que dizia assistir. Estava na casa de sua amiga. Saiu pelo jardim da frente, com as pernas moles mas pisando forte, como se o chão tivesse culpa de suas atitudes, tudo era motivo. Sentiu asco de si, com o braço que esfregava na boca, como que para tirar o gosto daquela noite insistente em não acabar. Foi até a piscina, molhou as mãos que automaticamente dirigiram-se para o rosto e cabelos, enfraquecendo a maquiagem mais-que-borrada e a escova feita em casa. O perfume com cheirinho de flor nem se sentia mais. Queria saber o por quê daquilo, queria algo mais completo, pensava no amor quase dormido que sentia por um velho amigo e sabia que era recíproco, e que, se fosse ele no lugar do bonitinho ela estaria plena e ainda na cama, sem asco nem desejo de a noite acabar. Existia vergonha entre os dois, queriam não ter defeitos um para o outro, sem saber que isso era o que fazia esse amor dormir. – Pensava olhando fixamente para a grama, com olhos baixos mas sem piscar. Se sentiu esvaziada, o único que funcionava era o coração batendo quase imperceptível, fazendo um calorzinho.
Voltou para a sala, deitou no sofá para ver o filme. Adormeceu. Acordou e viu, com os olhos embaçados, a amiga dizendo que a carona tinha chegado. Foi embora e no dia seguinte acordou cedo, com insônia. Aquela sensação ruim tinha passado, mas do amigo ela ainda lembrava.