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– Que feio, menino!

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s5030212Ela era bonita e fazia natação. Eu era molequinho e também fazia. Molequinho mesmo, uns 7 ou 8 anos de idade. Ela tinha cabelos longos e pretos, sobrancelhas marcantes e silhueta também; peitos ainda por crescer, porém definidos, e um grande quadril…
Luciana.. O nome dela me soava normal, eu queria mesmo era saber de brincar e de olhar ela se preparando pra entrar na aula.
Ela sempre vinha já com o maiô, primeiro tirava os óculos de sol, depois tirava a camiseta e em seguida, flexionava as pernas e o quadril para tirar a calça. Logo se enrolava na toalha, não gostava de se exibir. Mal sabia que ela podia, e muito, se exibir.
Minha mãe me dava as roupinhas, o tenis e me deixava enxugando, enquanto cuidava de fazer tudo isso para meu irmão menor.
Certo dia, num momento de distração, me pego olhando pra ela de um jeito diferente, como se observando-a com mais atenção e sentindo como se estivesse na minha frente. A toalha estava caida nas minhas costas, cobrindo também a parte da frente do meu corpo infantil.
Algo não estava normal. Com a toalha ajeitda a meu modo, não dava pra perceber que eu gostava de onde e como estava. Era estranho, bom, diferente, descoberta. Parei, estático, imóvel, só olhos corriam.
Minha mãe ao ver e detectar a situação, logo olhou brava, com o rosto marcado por franzidos que diziam: “pare agora”, me reprimia:
– O que é isso, menino? Que coisa feia! Vamos, vista logo essa roupa, temos que ir embora! Se enxugue, olha só, nem se secou direito! Que coisa feia! Que coisa feia!
Entendi na hora que aquilo não era bonito, nem coisa pra eu estar fazendo alí, com aquela idade, naquele momento; me senti meio mal.
Ao longo do meu amadurecimento, fui percebendo que era natural, porém não acatado por outros, principalmente pelos mais velhos.
Agora me pergunto: Será que é necessário mesmo a repreensão de uma criança, especificamente nesses assuntos? Se é algo natural, que ninguém escapa, por que ser “feio” ? Por quê não ser permitido? Claro que aquele não era o lugar apropriado, mas minha mãe não se referia ao lugar, e sim ao ato. Se eu fosse um menino mais tapado, teria ficado um bom tempo pensando na menina daquele jeito e me sentindo culpado, ou então até evitaria pensar nela, pra não me achar errado. Isso sim é feio!

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