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Prato do dia

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Marília Monteiro

Há aproximadamente 10 anos é polemizada a questão do sistema de cotas no Brasil. A lei instituída sugere que concursos públicos para empregos e faculdades públicas reservem uma porcentagem de vaga para classes sociais mais desfavorecidas.

O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aponta que mais de 11 milhões de pessoas nascidas na terra tupiniquim são negras. Enquanto isso, a ABEP, Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, informa que aproximadamente 30% da população brasileira está na classe A e B. Com base na história sócio-econômica brasileira e dando uma olhada nos dados apresentados, conclui-se que, no mínimo 70% desses 11 milhões de afrodescendentes  brasileiros estão nas classes menos favorecidas.

Ou seja, o sistema que era de cotas sociais tornou-se de cotas raciais, devido ao grande número de “black-powers” pertencentes à classe C e D – sem esquecer dos índios. É claro que iam reclamar.

Movimentos e passeatas contra esse sistema. De um lado os “burgueses” reclamando da diminuição de vagas nas universidades públicas, que em sua maioria são constituídas de pessoas que podem pagar um cursinho particular para agarrar o troféu da Federal ou Estadual, de outro, negros e índios agradecendo a oportunidade; e ainda numa outra face – a da cereja do bolo – brancos, negros, índios, pardos e misturados desse meu Brasil brigando por causa da discriminação que isso tudo gerou.

Era evidente que ia dar problema separar classes e raças assim, tão declaradamente. Sim, porque o preconceito brasileiro é coberto por panos quentes e na base do ‘somos todos irmãos brasileiros’ camufla-se muita coisa.

Não sou contra a cota social, sou contra a necessidade de um programa paliativo funcionando como placebo educacional.

Sistema de cotas, Bolsa Escola – incentivo financeiro para estudar, Escola da Família – trabalhe para mim e eu te dou uma bolsa na faculdade, são programas criados pelo governo para tapar o grande problema da educação no Brasil com a mais furada das peneiras.

Por enquanto as cotas estão realmente ajudando muitos desfavorecidos, o que é um grande avanço. Pessoas que nunca pensaram em entrar numa universidade, hoje podem se empenhar e conseguir, mas enquanto a educação básica não for adequada, cotas e bolsas continuarão servindo como tampa pequena numa panela grande. O vapor da ignorância vai continuar solto.

Há pouco tempo a professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, calou secretários e deputados mostrando o quadro dos professores da rede pública naquela região, o que não diferencia muito do resto do país.

Em seu depoimento, Gurgel mostrava o baixo salário, as condições precárias de um professor assim como as da escola pública e pedia objetividade política para a solução desses problemas.

O Brasil é carente de professores mais bem empenhados, de melhores estruturas escolares e de transporte, de alunos bem alimentados para conseguirem aprender, de mais leitura, de aulas interessantes, da escola como porta aberta para o mundo; e não de cotas sociais. Porém, enquanto o Papai Noel não chega, “é o que tem para hoje”.

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Quén, quén, quén, quééénnn….

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Acho que não deu certo!

Marília Monteiro

Mesmo depois de tanta polêmica, o público não teve chance no manifesto contra a aprovação do novo Código Florestal. Aldo Rebelo (PCdoB-SP) propôs e hoje, 24 de maio, lá está aprovado o tal do projeto.

Há pouco tempo a gente vem descobrindo que a Internet pode ser mais que Facebook e Orkut. Várias mobilizações já foram feitas, umas com sucesso, outras nem tanto. Esses dias o vlogger Felipe Neto lançou a moda do ‘preço justo’ para tablets e alguns outros eletrônicos incentivando o consumo da tecnologia no Brasil, com isenção de alguns impostos.

Criou-se um site onde aproximadamente 545 mil pessoas votaram a favor desta ideia e então logo saiu a notícia de que os impostos abaixariam. Ponto para a nação!

Mas será que vai acontecer que nem o Ficha Limpa? Lembra dele? 1,9 milhão de pessoas conectadas na web votaram para a aprovação da lei que barrava os candidatos das eleições 2010 que tivessem ficha suj… Cadê os candidatos?

É claro que essa diversão pública teve fim rapidinho, quando por motivo ou outro, (talvez uma gripe de algum deputado), paf! Foi derrubada a validade da lei. (Olha o Jader Barbalho aí, gente!)

E agora, 87.677 de nós, reles mortais, quiseram ter voz contra a aprovação da alteração do Código Florestal, dizendo que essa medida arruinaria áreas verdes tupiniquins, mas dessa vez os ‘grandões’ deram um basta nessa coisa de querer agradar. Foram logo dizendo que não e mostrando quem realmente manda no pedaço. É o Brasil democrático!