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Eu tenho um vizinho eclético

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E não sei como lidar com essa situação!

Antes eu não me importava com os gostos dos meus vizinhos, morava numa casa relativamente grande, com um quintal gostoso e a vizinha não me incomodava nem quando resolvia fazer churrasco. A do outro lado era um escritório e a da frente era uma senhora que gostava de botar um Elvis na vitrola (literalmente) de vez em quando. E só era possível ouvir quando se saia de casa (‘uma pena’ porque eu adoro Elvis).

Mas agora eu mudei.

Se a vizinha cozinha uma daquelas carnes fedidas, eu sinto, porque moro num apartamento.
Se eu chego (a hora que for) o cachorro dela late, porque moro num apartamento.
Se ela recebe visitas que falam alto eu escuto, porque moro num apartamento.
Se meu vizinho fala ao telefone eu escuto, porque moro num apartamento.
Se ele decide fazer um churrasco sertanejo, eu tenho que sair, porque moro num apartamento.
Se ele tem um gosto musical bom/ruim/variado eu escuto, porque moro num apartamento.

Hoje eu acordei, abri a janela e comecei me arrumar pra um compromisso. Cenário comum, se não fosse o Bob Marley rolando do apartamento dele, num volume razoávelmente alto. Tudo bem.. Aí ele resolveu mudar a música no meio (po, eu gostava daquela!) pra uma outra mais agitadinha. Aí acho que enjoou e ele colocou logo um pagode pra tocar.

Como o som dentro da casa dele estava alto, ele atendeu o telefone na sacada (suponho, porque a sacada dele dá um pouco acima da minha janela e a voz estava mais perto que o som).

– Fala, cara… Não, não vou viajar. É, fulano foi pra Indaiatuba hoje e eu só vou amanhã. Hoje to de boa aqui. OW, comprei o novo CD do Revelação véi…. É… dahora!…. Beleza.. Tchau.

Num sei, fiquei pensando se ele colocou aquela música pra atender a ligação de um amigo pagodeiro, porque foi logo em seguida: ele mudou o estilo musical e atendeu o telefone. Vai que o colega pensasse que ele curtia um…..Bob Marley né.

Depois de saber que eu estava ouvindo Revelação, tava quase entrando no clima, a música para de repente e começa… O melhor de GUNS N’ ROSES. COMO ASSIM?

Eu prefiro, mas o cara vai de reggae a rock, passando por pagode em poucos minutos, e eu tenho que ficar normal? Não! Ai, não consigo conviver! E olha que eu me julgo uma pessoa eclética, dependendo do nível musical, da letra, da melodia. Só se for muito ruim mesmo pra eu não gostar, como funk carioca, sertanojo, rap do gueto e puts puts ruins.

Mas po! Normalmente as pessos seguem uma linha lógica.

E eu aqui, parecendo minha outra vizinha que ficava de olho no que acontecia em casa pra sair contando por aí. Será que ela tem um blog?

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